Menopausa precoce: como afeta a fertilidade e quais alternativas existem para seguir em frente

A menopausa precoce é um diagnóstico que pode mudar o rumo do projeto reprodutivo de uma mulher. Ela não surge de um dia para o outro, mas quando chega abre perguntas profundas: o que significa, por que acontece, se pode ser prevenida, como impacta a fertilidade e quais caminhos existem para conseguir uma gravidez.
 No WeBank, abordamos esse tema com rigor clínico, sensibilidade e uma premissa fundamental: um diagnóstico não invalida um desejo — ele apenas exige novas estratégias e o acompanhamento adequado.

O que é menopausa precoce e em que idade pode aparecer

A menopausa é o momento em que os ovários deixam de produzir hormônios reprodutivos e a menstruação cessa de forma permanente. Geralmente acontece por volta dos cinquenta anos e é confirmada após doze meses consecutivos sem sangramento menstrual.

Quando esse processo ocorre antes do esperado, falamos de menopausa precoce ou menopausa antecipada.

A diferença entre as duas está apenas na idade:


 – Menopausa antecipada: antes dos 45 anos.
 – Menopausa precoce: antes dos 40 anos.

Embora representem uma parcela menor da população, os impactos físicos, emocionais e reprodutivos exigem uma avaliação cuidadosa e personalizada.

Principais causas da menopausa precoce

A causa central da menopausa precoce é a perda ou falha da função ovariana. O que varia é a origem dessa falha.

Fatores genéticos.
 Síndrome de Turner, alterações no gene FMR1 (relacionado ao X frágil) e histórico familiar podem aumentar o risco.

Alterações autoimunes.
 O sistema imunológico pode produzir anticorpos que atacam diretamente o ovário, reduzindo a reserva e acelerando a perda de função.

Exposição a toxinas.
 Tabagismo, pesticidas, solventes e certas substâncias ambientais contribuem para o envelhecimento ovariano.

Infecções virais.
 Caxumba, varicela e rubéola já foram associadas à inflamação ovariana e a alterações imunológicas.

Tratamentos oncológicos.
 Alguns tipos de quimioterapia e radioterapia podem danificar o tecido ovariano, causando perda irreversível de função.

Causas cirúrgicas.
 Quando há retirada de ambos os ovários.

Causas idiopáticas.
 Mesmo com investigação completa, em muitos casos não é possível identificar um motivo específico.

É possível prevenir ou atrasar a menopausa precoce?

Na maioria dos casos, não é possível prevenir. Condições genéticas, autoimunes ou tratamentos médicos são inevitáveis.

O único fator modificável com impacto comprovado é o tabagismo: fumar acelera a perda folicular e antecipa a menopausa. Interromper o cigarro é uma medida concreta de proteção.

Uma vez instalada, não existe tratamento capaz de restaurar a função ovariana normal.
 Na insuficiência ovariana primária, há uma pequena chance —menos de 5%— de ovulação espontânea, especialmente quando há componente autoimune, mas são exceções imprevisíveis.

O objetivo do tratamento é:


 – reduzir sintomas,
 – proteger ossos, metabolismo e sistema cardiovascular,
 – acompanhar o projeto reprodutivo com segurança.

Como a menopausa precoce afeta a fertilidade

A menopausa implica ausência de ovulação e de menstruação. Por isso, a mulher perde a capacidade de engravidar com seus próprios óvulos.

O ovário deixa de produzir óvulos e hormônios, e atualmente, não existe tratamento que recupere essa função de forma sustentada.

Isso não significa que a gravidez seja impossível — apenas que não é viável com óvulos próprios.

As sociedades científicas são claras: os tratamentos de reprodução assistida devem priorizar a segurança da mulher. Por isso, tentativas de gravidez após os 50 anos só são consideradas em situações excepcionais e criteriosamente avaliadas.

Alternativas para engravidar após o diagnóstico de menopausa precoce

A opção mais eficaz e segura é a ovorecepção.

O tratamento consiste em:

  1. Receber óvulos de uma doadora jovem,
  2. Formar embriões por fertilização assistida,
  3. Transferir o embrião ao útero da receptora.

Os óvulos de doadoras apresentam excelente qualidade, aumentando significativamente as chances de uma gravidez saudável.

O útero é preparado com estrógeno e progesterona para imitar o ciclo natural. Assim, mesmo sem função ovariana, o útero responde perfeitamente.

Quando a ovodoação é a melhor opção e quais são as taxas de sucesso

Em todos os casos de menopausa precoce ou falência ovariana severa, a ovodoação é o tratamento recomendado.

O motivo é simples: a limitação está no ovário, não no útero.

Com suporte hormonal adequado, o útero mantém sua capacidade de gestação.
 Na ovodoação, a idade da receptora não reduz a taxa de gravidez clínica, desde que esteja saudável.

Taxa acumulada de gravidez: 91,3%.

O útero de uma mulher com menopausa precoce pode receber um embrião sem complicações?

Sim.
 Na menopausa precoce, apenas a função ovariana está comprometida — o útero permanece funcional.

Com estrógenos (em adesivos, gel ou comprimidos) e progesterona para sincronizar o endométrio, o útero se prepara adequadamente e pode sustentar a gestação.

As taxas de sucesso são comparáveis às de outras receptoras saudáveis.

O essencial é:
 – acompanhamento médico contínuo,
 – avaliação metabólica,
 – controle de fatores como hipertensão, tireoide e histórico metabólico.

A menopausa precoce pode gerar incertezas, mas também abre portas para alternativas reais e seguras.
 Embora não seja possível recuperar a função ovariana, é possível:

– engravidar através da ovodoação,
 – manter a saúde hormonal com terapia de reposição,
 – e seguir em frente com um projeto reprodutivo próprio.

No WeBank, acompanhamos cada mulher com informação clara, sensibilidade e a convicção de que a fertilidade vai além da função ovariana: é um caminho que pode ser redesenhado — com ciência, cuidado e opções concretas para construir o futuro

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